Volta

Volta.

Prometo que se voltares,

Nada te direi.

Perdida nestes tristes ares,

Apenas de esperarei.

Nestes tristes ares,

Como as ruas escuras,

Longe dos teus mares,

Vazios das tuas loucuras.

Volta.

Prometo que não te questionarei,

Mesmo que queira saber por onde andaste.

Prometo que não te incomodarei,

Mesmo que queira saber porque tanto te demoraste.

Apenas te irei acomodar

No meu abraço

E a tua cabeça segurar

No meu regaço.

Volta.

A saudade que teima em não me deixar

Mostra-me que tu aqui continuas,

Tal como uma pequena lufada de ar

A desejar que me iludas.

Engana-me como daquela vez,

Onde me fizeste acreditar que tudo valia a pena

Onde te vivi com avidez

Onde eu vivi de forma plena.

Volta.

Sou egoísta, bem sei que melhor estás sem mim

Vejo-te a voar, nunca sozinho

E é bom olhar-te assim

A andar firme no teu caminho.

Mas,

Acredita em mim, por favor!

Não existe rancor.

Amar-te-ei com o mesmo fervor

Com que o meu peito hoje se enche de dor.

Imagem: “Amor e Ódio” de Edvard Munch