A Dor da tua Ausência

Helena Durães
Tempo de Leitura4 Minutos, 48 Segundos
Take away my pain, help me forget it all” 

Paro o que estou a fazer. Será que isso existe mesmo? É possível termos alguém que nos tire a dor? Que nos faça esquecer tudo? Não sei. Nunca o experienciei. Mas, agora, parando para pensar nisso… Será mesmo possível que isso exista? Alguém que com apenas a sua presença nos tire a tristeza, nos dê alento e que nos faça sentir que podemos apagar por momentos tudo aquilo que nos faz sofrer?


Se isso for verdade, essa deve ser a verdadeira definição do amor. 


Sento-me na cama e fecho os olhos. A música continua a tocar e eu por breves instantes atrevo-me a imaginar o que é isso de termos alguém que nos tire a dor. Tristemente, não o consigo alcançar. Realmente, não consigo imaginar isso… Não consigo imaginar que alguém me tire esta dor da existir. No entanto, choro. Posso não ter a capacidade de criar no meu pensamento essas imagens de ter alguém que me tire a dor, mas não evito as lágrimas que me correm pelo rosto.

Será que a minha imaginação não mo permite imaginar, por saber que à partida não irei ter essa bênção? Se assim é, é, então, estranho que não o consiga controlar. Seria pelo menos uma oportunidade de imaginar algo de belo. Como quando às vezes me imagino numa praia longínqua, onde o azul do mar é o mais límpido que eu alguma vez vi, onde a calma da natureza me faz transbordar de harmonia…


Tenho a certeza de que se conseguisse imaginar um homem a tirar-me a minha dor, essa seria, talvez, a coisa mais bela que alguma vez havia congeminado.

Mas sei que não é só pela minha incapacidade de o imaginar que chora. Choro por esse confronto com a ausência. Porque, sendo sincera comigo mesma, a ausência desse ser mágico que me pudesse retirar a companhia do meu sofrimento e me desse uma nova existência é gritante. É esse confronto com a ausência que me faz sofrer ainda mais. É um sofrimento diário. É uma dor constante. Há dias em que é menor… Consigo disfarçá-la com pequenas coisas que me dão alegria, com a companhia daqueles que me querem bem, os amigos, a família. Mas, depois, há dias em que a dor é tão absorvente que me deixa sem forças. Deixa-me sem forças para continuar nisto de sobreviver. É uma dor que me tira os sentidos, que me faz ver que nada sou. 

Por isso, pergunto-me como seria ter alguém que me permitisse descansar dessa companhia constante da dor…. Essa dor que me mostra de onde vim, o porquê de estar onde estou e a razão pela qual nunca irei ser diferente do que fui e do que sou. Essa dor é intrínseca à minha mera existência.

Sou essa dor.

Caso me fosse possível ter alguém que me retirasse essa dor, então esse alguém retiraria aquilo que eu sou. Eu deixaria de ser o que sou.

Quão belo poderia isso ser?

Imaginem, o que seria se alguém nos permitisse ser outra pessoa? Talvez… Uma pessoa feliz? Deixarmos de lado essa tristeza que aprendemos desde cedo a mascarar, mas que esteve sempre lá, dentro de nós, viva e acesa como o lume, para dar lugar à alegria. À pura alegria de termos alguém que nos tivesse tirado a dor. Sim. Porque se tivéssemos alguém que nos tirasse a dor, essa seria a felicidade materializada num ser humano.

A música termina e eu olho para o disco que está a tocar. Levanto-me e repito a música.

Encosto a minha cabeça à estante e oiço com atenção. A minha mente dá o significado a cada uma das palavras que oiço. Até que chego novamente à frase que está ainda no meu pensamento. 

“Oh, I’m holding out
Now that the time has come for giving in
So just for tonight would you keep me warm

Take away my pain, help me forget it all”


Meu Deus. Este é um homem profundamente apaixonado. E com medo de mostrar o que é, mas, ao mesmo tempo que arrisca tudo. Sejamos sinceros. Quem é que não teria medo de se expor totalmente a outra pessoa para que ela pudesse agarrar com as suas mãos aquilo que o faz sofrer? Concerteza, todos nós. Todos nós teríamos medo. Eu estaria aterrada com essa perspectiva. E o homem que escreveu esta canção também. Mas o amor que sente por aquela mulher é superior a tudo isso e ele arrisca. 

Como é bonita esta letra…. Deus queira que esta mulher lhe continue a tirar a dor e a fazê-lo esquecer tudo o que o atormenta. Porque é assim que vale a pensa viver. Com alguém que nos faça sentir humanos novamente, sem amarras ou arrependimentos. Apenas e só com a essência daquilo que é existir: com vontade de viver e não, de, apenas, sobreviver.


É evidente que este homem teve a bênção de encontrar alguém que lhe retire a dor. De outra maneira nunca conseguiria escrever sobre isso. 


Como isso deve ser maravilhoso… 

Agora percebo que uma das minhas questões fica esclarecida: isso existe mesmo. Há pessoas que encontram esse ser mágico que lhes tira a dor e lhes dá a possibilidade de a esquecerem.


NOTA: baseado no tema “Burns Like Summer Sun” de James Morrison.

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