A coragem de ser vulnerável

Quem nunca ouviu em criança a expressão: os fortes não choram, deixa-te disso.

Já em adulta e até mesmo nos momentos mais difíceis, as expressões que ouço é: Agora, tens de ser forte.

Bem, de facto, até é algo que sei que é uma verdade, mas…

E quando essa fortaleza cai por dentro e não me posso expôr?

E o que acontece com as emoções que sinto durante a vida toda, se só me posso permitir libertá-la em momentos considerados difíceis para a sociedade?

E será que a intensidade das emoções é vivida e sentida da mesma forma para todos?

Crescemos a achar que devemos valorizar a razão, e considera-se fraqueza quando alguém demonstra as suas emoções, ou pelo menos, quando não existe algo na vida dessa pessoa que seja considerado suficientemente grande para demonstrar esse sentimento.

Mas há situações no nosso dia-a dia que nos afectam, e que por vezes nos tornam mais frágeis, pois na verdade, ninguém nasce com uma carapaça impenetrável. Todos temos medos e a não ser que lidemos com eles, eles não irão desaparecer, só porque demonstramos ser fortes exteriormente.

Há coisas que são muito além do exterior, são vividos no nosso interior e quando não sabemos quem procurar ou como lidar com isso, esse medo vai-nos corroendo por dentro, e perdemos a nossa paz interior. Todos nós já tivemos sucessos e fracassos, mas se olharem para trás e tentarem entender a aprendizagem que tiveram com aquele suposto fracasso, percebem que esse pode ter sido o motivo que mudou algo na vossa vida, quem sabe: outra forma de entender o mundo, outra forma de lidar com as situações, nem que seja saber agora exatamente aquilo que não deseja para si.

Todos já tivemos situações em que nos sentimos vulneráveis e com medo, e quanto maior for o muro que criamos à nossa volta para nos proteger, mais difícil é de pedir ajuda. Sim, medo de não ser capaz; medo de voltar a arriscar, medo de ser despedido, medo de sermos os primeiros a dizer amo-te, entre tantos outros medos…

Mas também não será nesses momentos que aparece a verdadeira força?

Aquela coragem que nos faz continuar, apesar de? Essa é coragem que surge da vulnerabilidade e que nos faz crescer por dentro, é o que nos faz ter conhecimento das nossas falhas, e os desafios a enfrentar, é o que nos faz sentir as emoções que temos vindo a ignorar e VIVER.

É é nesses momentos que percebemos que é preciso ter coragem para ser vulnerável, e que isso não tem nada de mal, muito pelo contrário, isso torna-nos mais fortes, mas mais fortes de dentro para fora, como sempre devia de ter sido.

Muitas vezes, ao desempenharmos os nossos papeis no dia-a-dia, queremos ser os melhores custe o que custar, mas essa crença exige demais de nós próprios, pois ser o melhor, não significa não ter erros. Ser o melhor de si, é assumir que o erro faz parte da aprendizagem e assumi-lo, é aquilo que o torna um ser humano e cria ligações ao próximo, sobre a veracidade de quem está a lidar.

Ser autêntico não está no que dizemos ou temos, ela é vista nas ações diárias.

Todos nós, temos a capacidade de nos sobrepormos à adversidade que nos surge, e essas adversidades mostram-nos que podemos ser resilientes, e tudo é mais simples, quando conscientes das nossas emoções.

A vulnerabilidade é o que torna seres únicos e belos, no meios das diferenças. Ao reconhecermos as nossas fraquezas aceitamos a nossa condição de seres humanos e que os outros também o têm.

Aceitar a nossa própria vulnerabilidade perante os demais requer coragem, já que supõe aceitar-nos da forma como somos: com nossas feridas, assuntos pendentes e erros cometidos.

Andreia Braga